Agora que o debate do novo programa socialista do PCdoB já está quase chegando ao fim (no início de novembro ocorrerá o congresso, mas as conferências estaduais já ocorreram todas), convém falar da minha contribuição ao debate. Não por me achar demasiado importante, mas como uma forma de preservar a memória do 12º Congresso do Partido Comunista do Brasil e das conferências no Distrito Federal. O texto abaixo é, aproximadamente, minha intervenção na conferência do PCdoB-DF, reconstruída a partir das anotações que usei. Na conferência de Brasília (basicamente a região do Plano Piloto), falei também da necessidade de o Partido estar atento aos quadros que cotidianamente pensam o Estado brasileiro, notadamente os servidores públicos militantes do PCdoB. Além disso, contribuí também com dois textos à Tribuna de Debates, onde ainda está acontecendo um debate muito rico. São eles: Considerações acerca da questão constituinte, e Reforma e revolução. Ambos os textos serão publicados na edição especial do jornal A Classe Operária. Vamos à fala:
Bom dia, camaradas!
É bom chegar ao Distrito Federal e ver um Partido assim vivo, superando as adversidades e chegando mesmo a um nível organizativo e de inserção na sociedade do DF superior ao de antes. Bom também ver a qualidade do programa proposto pelo Comitê Central, com uma excelente análise da história do Brasil e do movimento comunista, que são a base para se pensar a revolução no Brasil. Pode-se dizer que se retorna ao debate da Revolução Brasileira, que teve seu auge no final dos anos 1950 e início dos 1960, com camaradas como Caio Prado Júnior e Nelson Werneck Sodré.
O programa propõe uma série de reformas revolucionárias – e aqui posso responder o questionamento do camarada Pedro Oliveira, pois o Partido não abandonou o marxismo. Essas reformas são verdadeiramente revolucionárias, pois implicam a subversão das relações de propriedade e de classe, e, portanto, a libertação das forças produtivas de suas amarras, permitindo a construção de um novo modo de produção.
É preciso, porém, construir polticamente as condições revolucionárias. Como já disse em minha contribuição à Tribuna de Debates, entitulada Considerações acerca da questão constituinte, a construção de um Estado democrático e popular, como diz o item 66 do programa, com “combinação entre democracia representativa e direta”, “direito à comunicação”, “regime federativo cooperativo” – e diz também que “estas tarefas são possíveis com o poder crescente dos trabalhadores e da maioria da nação” –, a construção desse novo Estado exige a luta institucional já no Estado capitalista, mas principalmente na construção do Estado socialista.
O Partido precisa pensar o marco legal da edificação desse novo Estado e a construção das condições políticas para o protagonismo da classe trabalhadora (como falou o Renato Rabelo no vídeo), possibilitando, pela alteração do marco legal, a implementação do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. O Partido precisa enfrentar esse obstáculo ao NPND, que é um obstáculo real, e a própria propositura de inovações do marco legal contribui para a construção do protagonismo da classe trabalhadora e do Partido Comunista.
Por fim, como disse o Milton Alves, esse programa é um programa da fase inicial da transição ao socialismo. Essas reformas e a construção desse novo Estado vão justamente nesse sentido.
Obrigado, camaradas!

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